Todos os dias, quase no mesmo horário, ela aparece. Pelas roupas e pelos fones de ouvido percebe-se que se trata de uma jovem que não trabalha. A repetição das cenas diárias chega a ser cinematográfica.
Quando ela chega, tira os óculos escuros, sorri para a garçonete, escolhe seu prato – sempre cheio de saladas e poucas carnes – tempera a sua salada com azeite e sal, coloca shoyu na cebola e pede um chá gelado. Se senta, recoloca os fones e começa a almoçar.
Olha para as pessoas na rua com uma curiosidade quase infantil. Começa sempre pela salada, parte para o filé de frango ou peixe e deixa as batatas e o tomate seco por último. Sorri, e descansa na cadeira enquanto termina o chá que já não deve estar tão gelado assim. Olha a hora no celular, pega a bolsa e vai embora. Todos os dias.
Um dia, ela se senta coloca os fones de ouvido e reconhece alguém na rua. Depois conversa com outra, outra e mais outra. Ela olha para frente, seu olhar encontra os dele e ele diz:
“Se você se candidatar a vereadora, já tem um voto!”
Com um sorriso amarelo ela se levanta e sai do restaurante.
“Idiota”
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