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terça-feira, agosto 28, 2012

Carta a uma vestibulanda

Eu sei que tenho andado meio sumida por aqui. Sei também o quanto é difícil para mim me abrir assim, para toda a internet. Dizem que geminianos falam muito sobre poucas coisas e nada sobre muita coisa. Acho que, de todas as pessoas que já conheci na minha vida, nenhuma sabe de tudo que eu poderia ter contado. É que simplesmente eu acho que não é do interesse delas saberem de certas coisas. Ou talvez eu tenha medo de perdê-las se contar algumas coisas sobre mim. Se penso isso de pessoas que me conhecem há anos, como posso abrir meu coração para uma página em branco com o cursor ali, nervoso, ansioso, esperando que eu desabafe tudo que quero?

Mas mantenho muito mais ativo meu tumblr. Além de ser mais fácil de atualizar, posso colocar todo o nonsense que a internet oferece. E nisso agradeço meu ex, porque foi com ele que aprendi a gostar de coisas sem sentido algum (não que ele fosse alguma coisa sem sentido, acho inclusive que ele fez a maior parte com sentido da minha vida). E quase uma semana atrás recebi uma pergunta anônima no tumblr sobre o que era o jornalismo. Nem respondi porque estava com preguiça. Mas aí, a pessoa perguntou de novo. Dessa vez, com um texto mais curto, mostrando que ela queria minha opinião, mas também estava um pouco sem paciência para me convencer a escrever só pelo carinho e tudo o mais.

Eu respondi a essa pessoa o que é o jornalismo para mim. E venho aqui copiar o que escrevi lá porque acho que alguns estudantes que pensam em cursar jornalismo podem ver o texto e se interessar pela profissão ou desistir logo de uma vez dela. Inspirada naquelas "cartas a um jovem..." copio abaixo minha própria "Carta a uma jovem vestibulanda que quer cursar jornalismo".


"Cara.. Jornalismo é overrated. Na época de Machado de Assis, jornalista tinha o mesmo status de um advogado ou médico. Hoje, não é mais assim. Muitas empresas usam do nosso ego de aparecer em algum lugar para nos “fazer comprometer mais com a empresa”. Eu chamo isso de escravidão. Eles fazem você ficar horas a mais, não pagam muito bem as horas extras e te obrigam a perder o final de semana ou o feriado, já que a notícia nunca para. Um amigo meu estagiava num jornal e ele basicamente não tinha vida na época de estagiário. Hoje que é efetivado, continua não tendo.

Se você não é ultra apegada à sua família ou a dias de descanso, então você vai gostar de jornalismo diário. Eu simplesmente não tenho organismo para aturar pressão 24 horas do dia. Se você não tem vergonha da câmera, saiba que poderá trabalhar de graça para grandes empresas (tenho uma amiga que trabalhou numa tv por 6 meses todos os dias sem receber nada). Se você não tem vergonha da sua voz, saiba que muita gente também curte rádio (é só ver a qtde de podcasts por ai). Se você gosta de um único assunto, então faça letras, porque com jornalismo muito raramente você irá trabalhar com aquilo que gosta o tempo todo. 

Agora, se você gosta de trabalho em grupo, correria, e não se importa com gente morrendo, você vai se dar bem no jornalismo. Costumamos pensar que Jornalismo é glamour, mas minha primeira matéria para um jornal era de um cara que tinha caído de paraquedas. Como ele não tinha morrido, a matéria não vingou. É esse sangue frio que se precisa. Não cobriremos SPFW todos os dias da vida, nem entrevistaremos o Brad Pitt sempre. Terão muitos acidentes em rodovias antes disso. 

Para mim, a Unesp foi o melhor momento da minha vida. Sofri, chorei, descobri o pior em mim, enfrentei meus monstros pessoais, meus traumas. Aprendi a viver sozinha, larguei minha carência afetiva. Enfim, cresci. A Unesp, sem dúvida, me tornou uma pessoa melhor. Recomendo a todos que façam faculdade em outra cidade. O crescimento pessoal é inacreditável.

Já o curso da Unesp é muito bom, embora muitos digam o contrário. Como a faculdade é publica, prepare-se para greves, festas, manifestações, palestras, falta de professores e tudo o mais. No entanto, te garanto que a maioria do que aprendi na Unesp foi mérito meu. Eu fui na biblioteca e devorei tudo que vi pela frente. Em menos de dois anos eu tinha lido mais de 48 livros. De clássicos da literatura, passando por filosofia, antropologia, psicologia, arte. Eu li muito e não é nem 1/5 do que a biblioteca te oferece. Os projetos extra-curriculares também foram muito importantes. Neles você irá aprender o que é trabalhar de graça e quanto vale o esforço.

Eu sofri muito na faculdade, tive poucos amigos, muitos momentos de choro desesperados. Mas tive também muitas risadas, muitas alegrias e muita cerveja.

Se você realmente ama escrever, mas não teria problemas se alguém pegasse seu texto e limpasse o cocô do papagaio com ele, então faça jornalismo. Se você é apegada demais às suas palavras, faça letras e escreva livros. Se você quer uma vida com salário baixo e muito trabalho, você se dará bem com o jornalismo.

A primeira vez que deixei de escrever “estudante” na parte de “profissão” nos formulários e passei a escrever “Jornalista” foi um dos momentos mais felizes da minha fase adulta.  

No ano que eu passei na Unesp, eu passei em Engenharia Florestal na Ufscar. Quando eu descobri isso pensei “uia! agora poderei ficar rica!” mas quando passei na Unesp minha alegria foi muito maior. Minha mãe olhou para mim e disse “Você quer ser pobre na vida, né” Eu acenei a cabeça, contendo as lágrimas de felicidade. Ela continuou “Então vá fazer jornalismo, minha filha. É o que você quer”. Eu nunca pensei que o jornalismo fosse outra coisa. Li muito e pesquisei muito. E nunca me arrependi da minha escolha. Escolha bem você também. Boa sorte. :)"

quarta-feira, setembro 29, 2010

Aniversário de dois anos do Crônicas!!

É com muita alegria que eu digo que meu blog está no seu segundo ano de aniversário!! Muito obrigada a todas as pessoas que entram e lêem um pouco dos meus pensamentos traduzidos em bits.Como ele é meu filho lindo, mas é virtual, no seu aniversário não pude comprar nenhum presente, o máximo que eu posso fazer é trocar "a roupinha" dele...


Sendo assim, lá se foi a cor verde, depois o caderno e agora estamos aqui. No preto e branco básico, com tons de cinza e luzes. Vocês gostaram? Ainda estou arrumando algumas coisas no código, por isso, por enquanto terá apenas o botão do Delicious aqui embaixo, mas em breve (espero que até amanhã) eu já irei deixá-lo muito mais charmoso e mais digital! hehe


O blog tem como intenção ser um apanhado de reflexões que eu faço durante alguns dias e seleciono um que eu achei mais interessante. Espero que ele continue assim, mas irá mudar um pouco. Uma vez por semana, irei por algo que aconteceu no mundo. Afinal, sou jornalista! (Tô quase lá, pelo menos).


Mas como é o último semestre do meu curso, sinto que ficará complicado postar 3 vezes como é minha intenção inicial. Sejam compreensivos, a louca (mas não muito cronista) tem um livro para escrever... E não deixem de acompanhar o Garotas Geeks que está cada vez melhor!


Parabéns ao meu filhote!! *__*

segunda-feira, setembro 27, 2010

Só sei que nada sei

Tomando de Platão tão sábio pensamento, a cada dia chego mais a essa conclusão. Logo no final do meu curso, logo quando tenho que entregar um livro. É... sei que esse não é o melhor momento para pensar em tais dicotomias, mas a cada vez que eu começo a ler qualquer coisa sobre qualquer assunto, percebo que estou cada vez mais distante de me declarar uma profunda conhecedora de tal assunto.


No livro Senhor dos Anéis, Aragorn se casa em O Retorno do Rei? Não lembro, acho que não, mas no filme sim, mas meu personagem favorito é o Tom Bombadil!!
Quem é o baixista do Metallica? Sei la... Gimme Fue, Gimme Fa, Gimme Dabajabaza!
Qual chá tem maiores efeitos de emagrecimento: o verde, o branco, o vermelho ou o amarelo? O amarelo tem cheiro forte, o verde gosto ruim, tomo mesmo é o branco, mas não emagreci muito não...
Qual a melhor teoria da Comunicação para explicar o fenômeno dos reality-shows no Brasil? Olha, me desculpa, mas tenho lido tanto McLuhan que já esqueci quase todas as outras teorias...
Quanto é 65 dividido por 7? Paats... não pode ser por cinco? 


Eu poderia citar outros ramos do conhecimento, mas acho que eu consegui explicar o que tem acontecido comigo. Acho que minha HD (vulgo cérebro) tem pouco espaço para armazenamento. Se antes eu lembrava de muita coisa, era porque só de "lembranças da minha vida" tinha uns 14 anos nela. Hoje, só essa parte são 23 anos...


O pior é que eu sei, ainda de cor, músicas de axé, pagode, bregas e sertanejo anos 90... Mas me perguntem como se resolve binômio de Newton para vocês verem... Alguém me explica por que nosso cérebro guarda tanta tranqueira? E quem souber como faz para dar uma boa "formatada" com back up eu agradeceria muito!

sábado, setembro 18, 2010

Sobre a madrugada

Agora são 2:30 da manhã e para mim, esse horário é as nove e meia do bom e honesto brasileiro. Ele já chegou em casa, jantou, já viu um pouco de tv e está pensando em tomar banho e dormir. Mas eu não, não consigo por pijama antes das duas da manhã. 


Eu adoro ficar acordada de madrugada, passam sempre filmes interessantes ou programas de melhor qualidade na tv, não tem vizinho cantando, carros buzinando. Apenas a calma e profunda paz. A noite é mais fresca também, então você não fica suando enquanto lê seus blogs favoritos. Poucas pessoas online, conexão da internet tranquila, dá pra arregaçar nos downloads... Sou uma coruja convicta.


O problema não é eu ficar acordada até as cinco da manhã. Não. O problema está nas pessoas que acreditam que aquele que fica acordado de noite é vagabundo. Não, não sou vagabunda. Trabalho à tarde, estudo à noite. Me digam: qual a vantagem em acordar as 8 da manhã? 


Estar disposto o dia inteiro? Ser honesto? Como durmo às cinco, se acordar às oito vou ficar toda quebrada. Além do mais, fico mais desperta agora, perto das três, então faço tudo o que tenho que fazer enquanto os outros dormem. E muito importante: muitos brasileiros honestos trabalham na madrugada, ok?


Quando eu achar um emprego e eu tiver que acordar cedo, estarei disposta antes das sete da manhã. Mas até lá, quero ter o gostinho de poder dizer que me levanto sempre ao meio dia.


Gostaria de agradecer à todos que entraram no meu blog essa semana. Tudo bem, mandei email para mais de 500 pessoas. Mas senti que era meu dever. Levei 4 horas pesquisando, escrevendo e editando o post. Foi uma média de 50 acessos por dia e espero que vocês tenham lido (e não apenas dado uma olhada hehehe... )
Eu poderia ter aproveitado toda essa divulgação que o Crônicas teve, mas decidi que quanto mais tempo os 4 posts ficassem visíveis, melhor.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Legal mesmo é nascer rica

Enquanto estava fazendo um sanduíche de presunto, pensei com nostalgia dos dias das férias quando comia salame com limão sem pensar no quanto custou para comprá-los. De uma sinapse para outra, cheguei à conclusão de que tenho que ser rica o mais rápido possível. Mas depois de pensar em tudo que eu poderia comprar, concluí que o legal mesmo é nascer numa família rica.
  1. Você não terá que se preocupar em ficar rico, você ja terá nascido rico;
  2. Você não ficará frustrado caso não consiga ficar rico;
  3. Aos 15 anos, você irá para a Disney/qualquer outro lugar abroad e poderá esfregar isso na cara dos seus amigos não tão ricos
  4. Terá todos os mais novos gadgets. Além de poder adquiri-los quando ainda estão caríssimos, você saberá como usá-los, ao contrário de seus pais (que terão tido todo o trabalho de ser ricos);
  5. Cirurgia plástica para o caso de você não gostar de como você nasceu (Ao contrário de nós, reles mortais, que tudo o que podemos fazer é "aceitar quem somos", você pode simplesmente ir lá e tadã! ta linda, a menina)
  6. Passear na Oscar Freire e entrar nas lojas sem falar "tô só dando uma olhadinha"
  7. Show de: New Kids on The Block/ Backstreet Boys/ Bandas Emo/ Lady Gaga não será no Brasil? Pega um avião e vai!
  8. Não ter apenas 1 batom de marca famosa que custou mais de R$60,00. 
  9. Chamar seus amigos para as festas na sua casa de praia (condomínio fechado e piscina)/ chácara (condomínio fechado e piscina) ou apê na Avenida Paulista (esse não precisa de piscina, mas se tiver, melhor)
  10. Fazer limpeza de pele, massagem, pilates e ir à manicure e pedicure pelo menos 2 vezes ao mês.
  11. Poder pagar de cult e engajada (afinal, você tem dinheiro para manter viagens para encontrar "companheiros" de outros Estados, organizar eventos, ir à todos os congressos, comprar roupa indiana e chinelinhos de couro ecológico - que são muito mais caros do que um jeans e um chinelo)
De que me adiantará poder ir à Disney depois dos 30? Se até lá tiverem lançado algo melhor que todas as coisas da Apple, eu terei as manhas de saber usar? Irei me acomodar na classe média mesmo e guardar dinheiro para ir à Oscar Freire uma vez que seja.

sábado, julho 03, 2010

E o Brasil perdeu

Devo dizer que ainda acho estranho escrever sobre futebol. Não entendo muita coisa, mas também não vou dizer que odeio. Não sou daquelas "Quero mesmo que a Argentina vença". Não. Enquanto o jogo rolava, tudo o que eu fiz foi ligar para amigos e matar saudades. Não me interesso por esportes, mas há algo que eu admiro em muitas pessoas e que não possuo: fé. Fé em alguma religião, fé em algum político, fé em instituições, fé em algum time de futebol. Acho lindo ver pessoas que acreditam completamente em outras, assim, sem desejar nada em troca. Essa fé cega que faz rir, brigar e chorar.


É uma das coisas mais bonitas no brasileiro, essa fé desmedida no futebol; esse complexo de vira-latas que só desaparece quando alguém grita "Salve a Seleção!". Só assim para brasileiro sentir orgulho daqui. Eu choro quando vejo a equipe de vôlei masculino ganhando mais um campeonato mundial. Não porque eu torça ou mesmo porque eu saiba a escalação completa da equipe ou mesmo se eles estão jogando 3 por 5. Eu me ponho no lugar de um deles, de qualquer um deles, lá em pé, ouvindo o hino nacional, vendo a bandeira subindo... é uma emoção que fica entalada na garganta.


E eu senti isso de novo ao ouvir algo muito estranho durante este jogo: silêncio. De repente, do riso fez-se o pranto, silêncio. Sem fogos, sem gritos, sem buzinas. Me senti mal, muito mal. Não pelo brasileiro que só compra camisas da seleção uma vez a cada quatro anos. Não pelo cara que só está torcendo para ter um dia a mais de folga. Mas senti mal por aqueles que amam futebol, amam a seleção brasileira e, principalmente, do jogador que será considerado o maior vilão da história desse país.


Me fiquei imaginando lá, jogador, na Copa do Mundo, jogando por um país que respira e acredita no futebol. Me deu um nó na garganta, mas não igual àquela do vôlei.


Para que todos vejam essa tristeza sem fim do brasileiro: Salomão, que ficou sem chão (e com aula segunda). via @naosalvo

quarta-feira, junho 02, 2010

Da academia

E semana passada comecei a fazer academia. Além de já ter passado da hora de eu tomar vergonha na cara e tentar de fato emagrecer, fazer exercícios, dizem que faz bem à saúde. Dizem. Eis os meus motivos para ficar emburrada toda a vez que eu junto coragem e deixo a preguiça em casa e vou malhar:


Um: toda a vez que você começa um treino, você fica todo dolorido. Deviam então dizer que academia faz bem à saúde a longo prazo. Porque durante semanas você não consegue nem se sentar com honra.

Dois: todos que malham são felizes. Errado de novo. Tem especialista que fala sobre a produção de adrenalina e endorfina, mas o que eu vejo quando estou malhando meu tríceps é bem diferente.Tem ninguém sorrindo lá não. Todos fazem careta, ficam com a cara vermelha, sem contar os urros abomináveis. O contrário de gente feliz.

Três: quem malha, emagrece. Na na ni na não. Quem malha engorda. Ganha músculos. Fica todo sarado. Ganha massa magra. Aí, quando o cara já fica com um corpo escultural e decide parar a academia, adivinhem? Ele engorda. Fica enorme, ou seja, quem malha engorda e quem não malha também.

Quatro: malhar está sempre na moda. Quem precisava de músculos eram os homens das cavernas! Tinham que fugir de tigre, caçar elefante, levantar pedra que obstruiu a entrada da caverna. Quantas vezes você viu alguém usando força bruta atualmente? O melhor é quando precisamos dela. Um dia estava na estrada e o pneu furou. Junto comigo, quatro homens. Além de não saberem trocar um pneu, um deles concluiu: "é... vamos ter que levantar essa parte do carro para por o macaco" (WTF??) Um outro (que malhava tinha 2 anos, ele estava se gabando disso no carro) disse: "Ah, não, cara, estraga a lombar". Então pergunto: qual a finalidade de malhar??

Se você é magro, nada que você faça te dá massa muscular. Se você é gordo, ou você terá que passar a vida inteira malhando e de dieta ou você voltará a engordar. Se você é gostoso, bem, para que malhar?

Nem vou entrar no quesito "moda de academia", porque deixa as pessoas de corpos definidos vulgares e as gordas ridículas. Faça academia e seja o ratinho de laboratório de Deus. Beijos

Deixando bem claro: não sou a favor da obesidade mórbida, só não acho válido pessoas que brigam com as outras pelas escolhas que elas fazem. Portanto, quem não faz academia não deve receber sermões sobre saúde e bem estar, já que, como vimos, todos os caminhos levam à gordura.

Ah! e você nunca terá o corpo daquela estrela de cinema. Sabe por que? Porque o corpo é dela, não seu! O seu corpo será sempre o seu, talvez melhorado, talvez piorado, mas sempre seu.

terça-feira, maio 18, 2010

Dias cinzas

Para ler ouvindo: Moscas en la Casa, da Shakira.


Desde que me mudei para o interior, comecei a acreditar que eu era feita para os trópicos, o clima do sol, o calor. De fato, no verão me sinto mais disposta, não falto à academia, corro todos os dias no fim de tarde e me sinto mais livre, leve e solta tomando um sorvete com um vestido na padaria durante uma tarde ensolarada de domingo. Mas essa não sou eu.

As lembranças da minha infância se parecem um pouco com os cenários de Supernatural: tudo muito cinza, escuro e frio. E mesmo assim, eu era uma criança feliz. Pulava, corria, machucava o joelho, como aquelas crianças criadas em sítio, apenas com um espaço menor para me machucar e um Atari para acompanhar minhas tardes depois da escola.

Sim, eu gosto de dias nublados. Uma das lembranças mais gostosas da época que eu namorava era ficar abraçadinha com ele durante os dias de frio na frente do cursinho. Adoro ouvir a chuva caindo do lado de fora da minha janela. E me sinto muito mais confortável de blusa de lã do que de saia e sandália rasteirinha. Apenas agora no quarto ano de faculdade fui perceber que eu não nasci para ser produtiva em dias quentes.

Vou me formar, conseguir meu mestrado e voltar para São Paulo. Preciso de dias frios (como o de hoje) para escrever, para sentar na frente do note com uma xícara de chá e ler as notícias do dia. Porque quando está calor tudo o que eu quero é curtir um belo dia de sol.


Desculpem pela falta de postagens, mas quando eu estou bem feliz, fico menos inspirada...


domingo, fevereiro 28, 2010

Aposentada aos 22 anos

Numa bela tarde de feriado de carnaval, sentada com dois grandes amigos numa varanda à beira de uma lagoa no interior, observo a paisagem bucólica do campo me abanando com um leque e ouvindo Maria Rita com o meu “radinho de pilha”.

Percebo então que meus amigos estão tendo o mesmo fluxo de pensamentos que eu. Como é boa a velhice, deve ser assim uma aposentadoria, sentar numa varanda, observar a vida passar e não sentir absolutamente nenhuma vontade de se mexer.

O resto do grupo chega. Violão, metal em alto e bom som no carro, italianada reunida falando alto. “Ah... esses jovens com esse tal de rock ‘n roll fazendo barulhos... Não sabem apreciar uma bela paisagem”

Todos riem. Acham que eu estou brincando. Mas me sinto mesmo com uma velhinha e meus dois maridos, todos aposentados e curtindo uma bela tarde quente. Talvez quente demais. Reclamações normais de velhos.

Não curto mais festas, não misturo mais destilado com fermentado, prefiro ler um livro a ir para algum lugar que toque ritmos que eu não gosto. Não saio mais para “pegar geral”.  Apenas me sento à varanda com o note aberto, escrevo algum texto e reclamo de meus pés congelando.

Espero que aos 60 anos esteja de cabelos rosas saltando de bungee jump.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Não deixe o blog morrer!!

Eu sei. Passei muito tempo sem escrever nada para o Crônicas. Mas não, não me arrependo. É sempre assim, acredito que o blog passe por momentos cíclicos, assim como a vida. Nos fins de semestre aumentam os trabalhos e nas férias aumenta a preguiça. Porém, já tem algumas semanas que eu pretendo voltar ao meu amado Crônicas.

E voltei. Não queria escrever semana passada, pois ainda me sentia mal pelo aniversário da morte da minha cachorra, e nada que escrevesse seria válido nem correto. Sendo assim, vamos falar sobre aquilo que sempre falamos nos inícios de ano: promessas.

Comecei 2010 revendo pessoas que não via há cinco anos e percebi que deixei para trás, definitivamente, minha timidez com desconhecidos – o que me ajudará imensamente na minha profissão. Pulando as sete ondas não desejei paz, felicidade ou saúde. Mas desejei outra coisa. Desejo para 2010 superar os meus grandes defeitos, transformando-os da mesma forma como fiz com a minha timidez e minha falta de determinação em 2009.

Que meu último ano da faculdade sirva para ser o primeiro com mais confiança em mim, melhor auto estima, mais organização e que eu consiga, finalmente, começar algo e terminá-lo.

Muita paz, saúde e felicidade para todos nós!! E que cada um supere seus medos e desafios. ^^

quarta-feira, setembro 30, 2009

Aniversário de um ano do Crônicas!!

Em março de 2008 eu me iniciei nessa coisa obscura que é ter um blog. Mas não era para mim, era para um grupo de estudo de poesias. E foi fazendo um blog que descobri a blogosfera. Nem me importava com ela, só usava a internet para jogar e ver emails. Foi com o In-vazão Poética (do qual não participo mais) que senti uma incrível vontade de escrever.

Mas sobre o quê? O que eu sei mais que todo mundo para manter um blog sobre? Foram meses pensando, até que um dia, contei ao meu melhor amigo daqui da faculdade que eu ia ser blogueira. Então o Alexandre me perguntou: "Sobre o que você vai escrever?". Eu não sabia a resposta. Olhei para ele e respondi: "Crônicas." E ele retrucou: "Crônicas ninguém lê."

E assim surgiu o nome do meu blog: Crônicas a ninguém. Como a única coisa que eu tenho pleno domínio é o nada, resolvi que esse seria o tema perfeito: NADA. Devo admitir que a série Senfield me inspirou muito, já que a sinopse dela é "uma série sobre o nada".

E o nada rendeu. Rendeu noites sem dormir, algumas risadas, algumas neuras, mas, acima de tudo, um prazer enorme em escrever para mim e para vocês. Coloquei há pouco tempo um marcador para saber quantas pessoas se aventuravam (obrigadas ou não) a ler o Crônicas. Imaginem a minha cara ao ver hoje o marcador mostrando mais de 500 pessoas! Para quem o público-alvo era ninguém, estou extremamente feliz e surpresa. Assim, vocês me incentivam a escrever mais, e, principalmente é graças a vocês que o Crônicas está vivo.

Para comemorar o aniversário desse meu bebê, ele ganhou uma roupagem nova - que caso vocês não tenham gostado, comentem... ainda há muitas coisas a serem arrumadas nele. Porém com o tempo o meu blog ficará cada vez melhor.

E tudo isso graças a você, o motivo do meu sorriso quando escrevo, pois sei que alguém (em Portugal, Nova Iorque ou Maceió) vai ler.

Muito obrigada.

E parabéns ao meu blog!!!! \o/
Eu não sou o Silvio Santos, mas também agradeço o carinho! ^^

quarta-feira, setembro 09, 2009

Guerra dos Vampiros

Eu sabia que meu vício em um jogo para Facebook ia acabar me dando pesadelos. Mas eu estou começando a acreditar que o meu sonho pode dar um bom filme. Ou não. Roteiristas de Hollywood prestem atenção!!

Eu havia chamado meu melhor amigo para me visitar. Junto com ele, eu tinha chamado uns rapazes que tinha conhecido na internet. Estávamos conversando quando uma amiga que mora comigo apareceu para pegar suas coisas, pois seu bebê estava para nascer. Para completar a galera aleatória em casa, minha mãe apareceu de surpresa e resolveu fazer comida.

Ao acender o fogão, minha mãe jogou o fósforo pela janela e queimou um bebê. A mãe dela gritou e eu e minha mãe fomos lá embaixo ver o que tinha acontecido. A partir daquele momento, o sonho passou a ser em inglês. O céu estava carregado. As ruas não existiam, apenas as casas. Fiquei curiosa porque muitas pessoas estavam nos telhados. Procurei a mãe da criança com o carrinho dela enquanto tentava ouvir o que as pessoas diziam uma para as outras.

O céu ficou completamente escuro e um homem (a cara do Bobby, do Supernatural) disse que agora era a hora, a guerra iria começar, para todos estarem prontos. Saí correndo com a minha mãe de lá. De repente, muitos jornalistas estavam na porta do prédio, nas ruas, filmando tudo o que acontecia.

Um fotógrafo me viu e começou a sussurrar umas coisas sem sentido até que ele disse para a minha mãe o que estava acontecendo: era a guerra dos vampiros. Tinha começado. E eles triunfariam. Comecei a entender tudo o que eles diziam, eles já tinham traçado um plano (sim, os jornalistas eram vampiros disfarçados, hã? Hã?) e a ideia deles era pegar todos os humanos presos nos prédios e deixá-los sem comida, nem água, nem nada, até eles aceitarem a redenção. Saí correndo, gritando para a minha mãe vir comigo.

Na escada, apareceram as crianças do prédio, sujas de terra, no escuro e sérias. Surpreendentemente, eu não estava com medo delas, apenas olhava para a porta esperando ver a minha mãe. A menina mais velha, lá pelos seus doze anos me olhou nos olhos e disse: “você acredita que nós vamos te morder? Te matar? Por quê?”

Aí eu compreendi. EU era um deles. Era uma vampira. Entendi porque tinha chamado tantas pessoas para virem ao meu prédio naquele exato dia. Era para EU ter suprimentos enquanto a guerra continuava. Era para eles infectarem as outras pessoas do prédio. Eu era peça-chave na guerra.

Mas e a minha mãe? Era vampira tbm? Ou foi devorada pelos vampiros como a primeira vítima indefesa? Porque eu andava à luz do dia? Era uma vampira muito forte ou era meia vampira? Se é assim, quem eh humano? Meu pai? Minha mãe ( a pobre vitima que EU deixei para trás?) Eu iria ter coragem de morder meu melhor amigo?

E... agora a parte mais moral da história: e minha amiga grávida? Eu iria infectar o bebê dela e ter o vampiro mais forte do mundo? COMO eu ia fazer isso?

Essas foram as perguntas que eu fiz quando acordei. Boa noite. E bons sonhos.

domingo, agosto 09, 2009

De como eu seria muito mais feia (ou da vaidade)

Faço curso de Humanas, mas odeio socialistinhas. Para dizer bem a verdade, nunca encontrei um de fato na Unesp. Mesmo assim, todos do campus fazemos questão de dizer que odiamos socialistas. Cada um tem o seu motivo, óbvio. Mas os meus são, no mínimo, superficiais. Digo para todos que não sou socialista porque me sentiria completamente mal em ir a uma festa e ter mais de uma mulher com a mesma roupa que eu. Eu sei que em Cuba não existe apenas uma marca de roupa, mas está mais do que claro que o ramo da estética não é nem sequer citado quando o assunto é socialismo. E graças a Deus, eu sou capitalista. Senão seria, muito, mas muito feia mesmo. E sempre penso isso quando saio do salão de cabeleireiro.

Não sou do tipo vaidosa que se perceba, daquelas que estão sempre impecáveis. Muitos dizem até que eu sou fuleira, que nunca me arrumo, e, devo concordar com eles. Não me arrumo mesmo. A verdade é que eu não vejo muitos motivos para ir para a faculdade como quem vai ao teatro. Geralmente vou de tênis, regata e jeans, como disse no post anterior.

Mas me considero vaidosa sim. Não posso ver catálogo de cosméticos que fico doida para comprar - minha linha de maquiagem preferida é uma difícil de achar e que só vende mesmo nos EUA. Entro numa perfumaria e me mato de tanto prazer em ver as novidades em cremes e loções.

Explicarei-me melhor. Todo dia, lavo o meu rosto três vezes: quando acordo, com um gel de limpeza refrescante, quando tomo banho, com um sabonete apropriado para o rosto e antes de dormir, com um demaquilante e um sabonete. Passo protetor solar, e jamais espremo uma espinha, apenas passo cremes que a secam. Faço clareamento nos dentes a cada seis meses, tenho seis diferentes cremes que passo duas vezes por dia, depois dos banhos. Um para o rosto durante o dia, um para a noite, um para o corpo, um para as mãos, um para acabar a celulite outro para firmar a pele. Faço uma vez por semana, na minha casa, hidratação nos cabelos e limpeza de pele com produtos bem carinhos, nada de potão de um litro por cinco reais, baby. Além disso, faço as unhas dos pés e das mãos uma vez por semana e me depilo, com cera e de forma bem dolorida a cada quinze dias. Acredito que isso me torne bem vaidosa, certo?

E mesmo assim, continuo feia como o diabo. É nessas horas que eu penso: “Deus, e se eu tivesse nascido na mesma época que minha vó? Ou na Rússia?”

Teria virado uma freira bem feia, certeza.

Mas mesmo assim, corto franjas assimétricas e compro esmaltes e batons da estação!!! Ui!

terça-feira, julho 21, 2009

Da completa falta de assunto (ou Das férias)

É sempre assim. Começa julho ou dezembro e eu fico sem assunto. Não que eu deixe de acompanhar os noticiários ou que perca minha opinião sobre os acontecimentos. Mas o grande problema é a preguiça. As férias tem esse incrível efeito sobre mim: a preguiça. Até penso em escrever nesse blog, fazer um post sobre as coisas que eu faço nas férias, mas tenho um inacreditável medo de transformar esse blog sobre crônicas em um diário. Talvez seja um enorme medo de acabar fazendo uma redação - em capítulos - sobre "Minhas férias".

Outro pequeno problema que acrescenta minha falta de assunto é a internet. Ficar o dia inteiro nela me faz menosprezar temas que poderiam virar posts e terminam com uma única frase no Twitter.

Falando nisso, o Twitter é algo que eu não compreendo. Não sei porque ainda é pouco usado no Brasil. Como já disseram, ele é "um manicômio, onde cada louco fala sozinho e raramente é respondido por outro" ou é um mini-blog, onde cada pessoa escreve o que está fazendo, como diz a proposta do site. No mesmo instante, sabemos tudo o que acabou de ser publicado em blogs que gostamos, a programação de canais ou ainda notícias de portais. Podemos também acompanhar os artistas, saber o que fazem, pensam ou gostam. Melhor do que qualquer Tv Fama. Para o bem ou para o mal, o Twitter chegou para ficar. Acostumem-se.

Outro fato importantíssimo que me fez não publicar nada foi a morte do rei do pop. Fiquei completamente chocada e de luto. Até uma semana depois, quando não aguentava mais ouvir falar dele em todos os lugares. Aí desisti de fazer um post sobre isso. Não iria dar esse gostinho à Indústria Cultural de Massas...

Por esses motivos, não tenho atualizado - com muita dor no coração - o Crônicas de Nada. Mas isso agora irá mudar. Voltarei a escrever sim, para a tristeza ou para a alegria de vocês, e para a tranquilidade do meu cérebro.
Dessa forma, colacarei no blog algumas coisas interessantes onde fui em São Paulo, filmes que valem a pena assistirem, enfim, será um Diário das Minhas Férias. Dane-se.

Afinal, o blog é meu!!! huuhuhuhu!! \o/

quinta-feira, abril 23, 2009

Dos dois maiores defeitos do ser humano

Resolvi fazer esse post para evitar ler sobre isso depois e ficar muito chateada de não ter escrito sobre isso antes e perder os royalities. Acontece que eu tive uma epifania. Pensando sobre como o ser humano é, cheguei a uma grande conclusão: os seres humanos tem dois defeitos essenciais: a ingenuidade ou o orgulho.

Não há gente inocente e orgulhosa ao mesmo tempo.Nasce-se com um ou com outro. Sem mais discussões. È só isso.

Entender o que quero dizer é muito importante como autoconhecimento. Como costumo dizer “o autoconhecimento é a chave da sabedoria” (por favor, caso queira usar essa frase, saiba que ela é muito minha desde meus quinze anos, quero o copyright, ok?). E foi pensando nessa brilhante frase de minha autoria que cheguei a essa conclusão. Ou somos orgulhosos, ou ingênuos. Deixe-me explicar melhor.

Pense em todos aqueles que você conhece. Agora, pense em seus defeitos. A maioria deles vai girar em torno do mesmo problema: a ingenuidade ou o orgulho. O orgulho é mascarado de diversas formas, mas a principal delas é a de não admitir erros. Muitas dessas pessoas já perderam muita coisa por conta desse orgulho que lhe habita as almas. A ingenuidade é caracterizada por pessoas que cometem o mesmo erro diversas vezes. E essas pessoas não entendem como conseguiram cometê-lo novamente.


Não conseguiu entender? O orgulho muitas vezes se mascara em teimosia, rivalidade, necessidade de auto-afirmação. A ingenuidade se mascara de, muitas vezes, burrice. Mais claro agora? Mas tranqüilize-se: onde há um, não há o outro. Se você alguma vez já se viu cometendo o mesmo erro porque acreditou que algo cósmico iria te ajudar, você é ingênuo. Se já se viu dizendo: “não, comigo será diferente” você é orgulhoso. Ah, e claro, duas pessoas orgulhosas juntas dificilmente dará certo, ao passo que dois ingênuos juntos é meio difícil de encontrar, já que a ingenuidade também pode se mascarar pela timidez.

Ficadica. Pense, reflita, e descubra a qual time você pertence. Saiba que se você pertencer ao meu grupo, perdoe-me, mas você tem mais tendência a sofrer na vida. Já que não percebe quando está cometendo o mesmo estúpido erro (qualquer dúvida veja meu profile no orkut e veja se consegue entender as indiretas). Caso você pertença aos orgulhosos, pense quantas coisas você já perdeu por não querer admitir algo que todos lhe diziam.

Outra dica: nessa história, não se pode trocar de time; se é orgulhoso não se é ingênuo. Nunca, mas nunca mesmo, os dois. Se você se acha meio orgulhoso e meio ingênuo, deixe esse orgulho de lado!! Porque nenhum ingênuo de verdade vai pensar que é ou que já foi orgulhoso um dia.

quarta-feira, março 25, 2009

De como a paixão funciona

Às vezes, nos encontramos parados admirando alguma coisa fantástica que alguém está fazendo e de como você gostaria de estar no lugar dela. Então você sente algo bom crescendo em seu peito, uma emoção que te faz sorrir. Você sabe que dali para frente você nunca mais será a mesma pessoa de antes. Seus olhos brilham.

Isso afeta o nosso cérebro. Nossos pensamentos se concentram todos em apenas um. A sensação é que esse desejo todo dure para sempre. Ou, que pelo menos, deveria.

Sorrimos ao nos pegarmos de surpresa pensando nessa paixão no meio da rua, sós. Queremos contar a todos, o mundo todo deve saber o que você está sentindo.E é muito bom. É o que nos torna mais humanos.

Às vezes nos apaixonamos por uma profissão, como no meu caso. Outros por esportes, dança, música. A forma mais conhecida é por alguém que sonhamos que irá nos tirar da angústia da solidão. Um filme, um personagem, um livro. Uma epifania e puf, você se descobre apaixonado.

Aproveite essa sensação. Corra atrás de seu desejo. Seja feliz da maneira que conseguir. Enjoy it . Feliz paixão para você também.

(Espero em breve me apaixonar por um ser humano de carne e osso. Só pra variar... )

Post dedicado ao Murilo que me deu os meios para a confecção deste texto. Valeu, flor.

terça-feira, março 17, 2009

De como eu acredito em profecias

Estou farta. Já chega. Agora é a prova concreta de que o mundo acabará em 2012. Há muitas profecias que afirmam que o mundo acabará daqui a três anos.Por exemplo, um matemático descobriu que, de acordo com o i ching e umas fórmulas bizarras o gráfico de crescimento da população mundial. Incrivelmente, neste gráfico há 3 quedas na reta. As duas primeiras, correspondem aos anos das Guerras Mundiais. E a outra? 2012.

Outra profecia? A Maia. Ela afirma que, no ano em questão, quem não tiver bom coração não resistirá. O que eu posso dizer? Se há uma semelhança em todas as piadas de jornalistas e advogados é que ambos iremos para o inferno. É, acho que não poderei fazer 26 anos.

Mas hoje eu tive a confirmação de que o fim se aproxima. Clodovil Hernandez morreu. A Dercy se foi. Eu juro, não resistirei caso Hebe, Jô Soares ou Silvio Santos partam dessa para uma outra melhor.or.

Prometo que a partir de hoje começarei a reparar em tempestades elétricas, mortes de gado ou qualquer outro sinal demoníaco que eu possa depreender de um seriado que sou viciada. Comprem muito sal e aprendam latim. Coisas ruins se aproximam.

Ou não. Talvez eles só estejam velhos mesmo.


Arrependei-vos enquanto há tempo, irmãos!!!!

Quando minha criatividade se vai, só a Carol para me dar ideias. Valeu, flor!


terça-feira, setembro 30, 2008

De como a Internet emburrece o homem

Crônicas

Dizem que a tecnologia está aí para servir ao homem do século XXI. Não acredito. É bem mais provável que seja o contrário: o homem contemporâneo está aí para servir à grande teia global. E é tão triste perceber isso nas ruas. Antes, as crianças brincavam alegremente nas calçadas; hoje, gastam dinheiro em lan houses com joguinhos onde matam os amiguinhos a cada rodada (O que será de nossos filhos, meu Deus?). As donas de casa batiam papo com as vizinhas para pegarem receitas; agora é só ir ao Google que qualquer receita aparecerá em 0,1123 segundo. As amizades também mudaram: antes, cartas matavam as saudades de quem morava longe. Hoje, um bonequinho pode abraçar outro bonequinho e tudo bem, fingimos que foi com nós mesmos.

Antes, quando eu não tinha internet em casa, passava meus finais de semana solitária, arrumando a casa, adiantando matérias da faculdade e lendo. Devorava livros na minha solidão do nono andar. Agora, se eu tenho um computador na mão, ou um mouse, passo o dia inteiro nele. Nem que seja escrevendo textos vazios ou jogando, de Paciência a lindos joguinhos... Já viram o do Coelhinho que sobe no céu com sinos?

Cada vez que eu vejo comerciais sobre o aumento da velocidade de download de algum serviço de internet, sempre penso: “Meu Deus!! Para que 30 mega de velocidade se é para entrar no msn e no orkut?” É bem paradoxal. Aumentamos os meios de informação – celulares que só faltam fazer pizza (mas que ninguém tem créditos), pen drives de capacidades monstruosas, telas de LCD. Toda essa tecnologia para...? Para que você possa entrar no orkut e postar belas fotos.

Muito paradoxal. Tanto é que, mesmo sabendo de tudo isso, e bradando a bandeira do “Saia do Orkut e vá baixar um e-book” eu estou brigando com as minhas amigas para colocarmos uma mega internet em casa. (E parar de roubar a do vizinho).

Saia do Orkut e vá baixar um e-book!!