quarta-feira, abril 10, 2013

Novas perspectivas

Há umas três semanas tenho me sentido vazia. Estava sem vontade de fazer qualquer coisa que fosse. De sair da cama a voltar pra casa depois de um longo dia no trabalho. Não entendia de onde esse desânimo todo vinha até que, depois de uma sessão de terapia, descobri a fonte: um simples  comentário.

Esse comentário era algo como "ninguém aqui é amigo de ninguém. Só trabalhamos juntos". E foi isso que caiu como uma pedra gigante na minha alma. Depois de todas as noites mal dormidas, todos os finais de semana gastos, as escolhas entre diversão e trabalho, nada disso valeu para ter uma amizade? Como me esforçar então?

Antes da faculdade, eu tinha mais de vinte amigos. Mas desses que se confia, que se sente saudade. Amigo de verdade. Durante a faculdade, uns 7. Hoje, 2.

E esse vazio todo é porque antes meu coração tinha muita gente. Hoje tem espaço de sobra. Dizem que "cabeça vazia é oficina do diabo". Eu acho que "coração vazio é diversão para seus demônios". Não daquele de chifres e roupa colante vermelha. Daqueles dos pensamentos que te assombram à noite.

Levei muito tempo para aceitar trocar de padrões. Agora e por enquanto, vou viver apenas para ME satisfazer. Irei estabelecer ações e etapas para atingir meus objetivos. Não vou mais me entristecer por quem não se importa comigo.

Claro que isso vai me fechar ainda mais. Mas vou me preocupar em abrir mais espaço no coração quando essas feridas se curarem. Mais fácil alugar um lugar quando ele está reformado, ne?

quinta-feira, abril 04, 2013

Uma casa simples

Todos os dias que volto pra casa de fretado, eu caminho até essa casa que nem fica na mesma rua do meu ponto de ônibus. Hoje me peguei pensando no porquê.

Eu gosto de ruas com árvores, odeio o cinza do concreto. Primeiro porque em São Paulo é muito difícil para as estruturas resistirem  ao clima úmido da capital. Daí que o cinza se destaca, descasca e apodrece. Segundo porque é a cor predominante na cidade e é uma cor triste.

Outra coisa que me atrai nessa rua é a falta de movimento. Muitos carros traz bagunça,  barulho e gente se xingando sem motivo.

Mas a minha parte favorita dessa casa é o muro. Não pensem que ela é uma casa tipicamente paulistana: cercada de segurança contra qualquer tipo de violência. Não, essa casa tem um muro baixinho, do tamanho perfeito para que eu me apoie nele.

No quintal dessa casa tem árvores e flores. E eu fico imaginando quem cuida delas. Como essa pessoa mora em São Paulo, tem um muro baixo e ainda tem tempo para cuidar de suas plantas?

E aí é o momento em que sorrio desejando que essa pessoa seja eu. Que essas sejam as minhas preocupações, que ter uma casa despreocupada e com plantas sejam parte da minha vida.

Dizem que São Paulo é uma cidade onde a vida não é simples. Aqui você escolhe entre carreira ou hobby; descanso ou happy hour; felicidade ou pró atividade. É por isso que eu quero sair da capital. Buscar minha casinha feliz.

Então meu tempo acaba, volto pro ponto e entro no fretado. Volto pra Guarulhos, para as ruas e avenidas movimentadas, pra minha rua cinza, pra minha casa cinza, com portões grandes e pesados. E torço para que, em breve, eu possa escolher pela minha felicidade.

segunda-feira, março 25, 2013

Da minha dificuldade de emagrecer (parte 33 e um terço)

Em outros posts aqui, eu já tinha falado sobre minha grande dificuldade de emagrecer. De dietas malucas, exercícios e só vendo aqueles números ficando cada vez maiores na balança (e na vida, no guarda-roupa e em todo o resto).

A faculdade acabou e eu fiquei em casa. Desempregada, usei meu tempo livre e descobri todo o mistério que residia nessa dificuldade toda: eu tenho hipotireoidismo.

Essa doença bacana aumenta o colesterol, não tem cura, faz cair cabelo, enfraquece unhas, dá desânimo, ansiedade e depressão, além de dificultar o processo de emagrecimento.

Eu tinha tudo isso aí além de dormir 16 horas por dia. O que parecia preguiça, folga ou descaso tinha um nome e uma consequência: remédio pro resto da vida e exames periódicos de sangue. Logo eu, que tenho pavor de agulhas.

Mas antes de achar que meus problemas acabaram quando eu descobri que tinha a doença, eu tinha também um agravante. Meu colesterol estava altíssimo, mais que o dobro recomendado.

Faço o tratamento desde então e hoje minhas unhas crescem, meu cabelo não cai, meu colesterol está adequado e durmo inacreditáveis cinco horas sem morrer de sono ao longo do dia. Antes, sem remédio,  eu era quase uma narcoléptica, dormia no trabalho sem nem perceber que estava dormindo.

Mas meu grande problema ainda é aquele primeiro que me levou à endocrinologista. Não consigo emagrecer. Já são 27 quilos desde os 17 anos.

"Ah, Deborah, mas isso é todo o bacon que você come"

Na boa, eu como menos besteira que os outros e faço mais atividade física.

Eu sei que com essa condição da tireóide, eu tenho que me esforçar mais que os outros. Mas é tão desanimador não ver o ponteiro da balança abaixar!  Também sei que não vou emagrecer o que levei quase dez anos em três meses, mas seria ótimo um inventivo, sabe?

Ainda estou no primeiro desafio de emagrecer: frequentar uma academia por três meses seguidos. O desânimo com o peso me faz parar de frequentar antes.

O lado bom é que dessa vez parei de ir faltando duas semanas para completar três meses.

Vou elaborar um plano de metas e vou publicar aqui. Mas hoje vou à academia fazer uma avaliação e encarar novamente o "desafio dos três meses". Dizem que se você for 3 meses na academia, você vicia e não sai mais. Já são quatro anos tentando. Vamos ver se dessa vez eu consigo.