quinta-feira, março 04, 2010

De como eu odeio ficar rouca

Eu falo demais. Acredito que eu deva falar quase o triplo de uma pessoa normal. E sei disso. Não gosto quando as pessoas ressaltam esse traço da minha personalidade. Porque as pessoas tagarelas são geralmente consideradas como malas.

Eu era uma criança muito quieta. Com alguns anos de terapia, recebi um conselho valioso: eu não tinha amigos porque eu não conversava com ninguém e, por não conversar com ninguém, ninguém virava meu amigo. Ai eu resolvi começar a conversar com as pessoas. E foi outro problema. Como eu nunca tinha falado nada com ninguém, eu vomitava palavras o mais rápido possível para não ter que passar por aquela péssima sensação de ninguém querer prestar atenção em mim.

Só aos 15 anos eu comecei a falar mais devagar – o que não significa em nada uma diminuição na quantidade de palavras ditas. Ai passei a ser entendida. Antes eu precisava repetir umas duas vezes o que eu falava quando me animava, já que eu me empolgava e falava muito, mas muito rápido mesmo.

Até meus 20 anos eu costumava ficar rouca/gripada/resfriada pelo menos uma vez por mês.  Hoje, fico assim mais raramente. Mas ainda fico muito nervosa quando fico rouca. Parece um castigo de Deus, um carma na minha vida ficar rouca facilmente. E não o rouco sexy. É daquele tipo que parece a sua vó falando, sabe? É horrível, incômodo, dói e eu me sinto presa em mim mesma quando eu tenho que ficar o dia inteiro sem poder dizer uma palavrinha que seja.

Eu sei que deveria considerar isso uma chance de aprender a ficar quieta. Mas não dá!! Eu odeio ter que calar a boca, ok??

domingo, fevereiro 28, 2010

Aposentada aos 22 anos

Numa bela tarde de feriado de carnaval, sentada com dois grandes amigos numa varanda à beira de uma lagoa no interior, observo a paisagem bucólica do campo me abanando com um leque e ouvindo Maria Rita com o meu “radinho de pilha”.

Percebo então que meus amigos estão tendo o mesmo fluxo de pensamentos que eu. Como é boa a velhice, deve ser assim uma aposentadoria, sentar numa varanda, observar a vida passar e não sentir absolutamente nenhuma vontade de se mexer.

O resto do grupo chega. Violão, metal em alto e bom som no carro, italianada reunida falando alto. “Ah... esses jovens com esse tal de rock ‘n roll fazendo barulhos... Não sabem apreciar uma bela paisagem”

Todos riem. Acham que eu estou brincando. Mas me sinto mesmo com uma velhinha e meus dois maridos, todos aposentados e curtindo uma bela tarde quente. Talvez quente demais. Reclamações normais de velhos.

Não curto mais festas, não misturo mais destilado com fermentado, prefiro ler um livro a ir para algum lugar que toque ritmos que eu não gosto. Não saio mais para “pegar geral”.  Apenas me sento à varanda com o note aberto, escrevo algum texto e reclamo de meus pés congelando.

Espero que aos 60 anos esteja de cabelos rosas saltando de bungee jump.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

De como Marylin Monroe estava certa

Saiu esses dias um artigo sobre um estudo britânico (sempre é britânico) que afirma que os homens preferem as loiras. Já no mercado de trabalho, as morenas ganham; cabelos castanhos ou negros dão ar de confiança e responsabilidade. Já as madeixas loiras passam sensualidade e carência (algo como a Felícia de lingerie). Aqui no Brasil, tenho certeza que o estudo se aplicaria muito bem. A maioria dos homens que conheço prefere as que retocam a raiz. Nada contra as loiras, acho ótimo, tenho muitas amigas loiras maravilhosas, mas sinto que devo representar minha genética, desfavorecida.

Meus cabelos são negros, completamente negros, porém sou muito irresponsável. E conheço também muita morena sensual e carente (Olá, Felícia!). Mas reconheço que as loiras são colocadas em outro patamar. Os homens as vêem de outra forma. Poucos são os que conseguem dizer que uma loira é feia. Mas já as morenas... como sofrem (imagino que as morenas feias pintem os cabelos apenas para serem loiras “bonitinhas”).

Deixando para lá a velha rivalidade entre loiras e morenas (já que as morenas queriam fazer tanto sucesso com os homens como as loiras; e estas gostariam de ser admiradas pelo que são como as morenas), tenho certeza de que esse estudo é verdadeiro, apesar de tudo. Talvez porque aqui, mulheres morenas sejam o mais comum, o trivial. Pense bem: quantas morenas você conhece? E loiras? Admito que no time das loiras, poucas me vêem à cabeça.

É isso. Está decidido. Me mudarei para a Finlândia. Lá não deve ter mulheres assim, como eu. Adeus, Brasil cruel!

(E desconsiderem que o estudo é europeu...)
 
Esse texto eu escrevi há muito tempo, mas só publiquei agora porque não tenho mais cabelos da cor da asa da graúna...