Crônicas de nada

O nada ocupando espaço e tempo. Porque de cronista e louco, todo o jornalista tem um pouco.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Do mal necessário (ou da minha raiva de bancos)

Odeio o sistema financeiro. Por um pouco de papel moeda pessoas são assassinadas. Se pararmos para pensar, uma nota de cem reais não é lá muito diferente de uma folha de sulfite. Só que ela é azul e o governo deu um valor a ela: cem reais. Por isso eu prefiro o cartão. Sem considerar que as notas são sujas, passam por muitas mãos, e em geral, tem sempre uma rabisco estragando a “beleza” gráfica da impressão.


Estava tudo bem na minha vida até meu banco mandar um cartão (que eu não tinha solicitado). Fiquei até feliz. Ele é laranjinha, mais colorido e mais alegre que o cinza antigo. Meu ódio surgiu quando eu vi um adesivo nele: “Para desbloquear o cartão, ligar para...” pronto. A paz se esvaiu do meu coração. Eu sabia que iria ter muitas dores de cabeça.


Liguei no telefone passado e descobri que o adesivo me enganara. Eu tinha que ir à agência. Chegando lá, me falaram que teria que ligar para desbloquear o cartão. Respirei fundo e desencanei. Pensei que era melhor assim, sem cartão de crédito, eu não teria más surpresas no fim do mês. Até hoje. Quando precisei, de verdade, do meu amado/odiado cartão.


Depois de esperar duas horas no telefone, me senti um bumerangue. Me passavam de um ramal para outro e ao fim, fui informada que eu deveria esperar mais um dia para poder ligar lá novamente (e passar mais umas duas horas) para desbloquear aquela porcaria que eu não tinha pedido.


Eu sei o mínimo de programação e de sistemas de informação. E é bem fácil de se fazer uma coisa chamada “atualização de cadastro”. Basta apertar uma teclinha no teclado chamada F5. Acho eu que as atualizações de cadastro e informações ainda são mandadas em carruagem por soldados romanos. Em compensação a cobrança e as tarifas bancárias navegam tranquilamente pela web.


Se os bancos são um mal necessário, por que não torná-los melhores? Todos sabem que bancários ganham bem, bancos são elegantes e com ar condicionado. Por que os atendentes são sempre tão mal humorados? Por que nunca te dão a informação desejada? É... o pior é que não adianta reclamar, xingar ou gritar. Obedece quem tem juízo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Das minhas conclusões sobre a lei de Murphy

Hoje, depois do almoço, estava caminhando na rua até o ponto de ônibus. Estava suada, já que ultimamente tem feito um calor infernal, culpa desse aquecimento global. Estava com o cabelo escovado, absoluta - como diria Stephany,  quando começou a garoar. A princípio me senti completamente feliz e aliviada pela chuvinha fraca e, francamente, meio morna que estava caindo. Depois, pensei muito irritada: “faz dois meses que eu não faço escova, e justamente hoje chove! Ô lei de Murphy! Ele deve estar tentando a livre docência no céu e eu sou o grupo de teste dele, não é possível!”

Mas pensei melhor. Se eu não estivesse de escova, estaria cantando alegremente. Estaria curtindo uma garoa fina, me sentindo uma "Garota do Fantástico". Adoro tomar chuva. Abro os braços e fico rindo olhando para cima, bem à la "Um sonho de liberdade". Acho que isso veio de um dia minha mãe ter ficado embaixo de um temporal quando estava grávida de mim. Ela disse que foi um "desejo". Só que ao invés de comida exótica - tipo tijolo - eu quis um belo banho de chuva. Depois de alguns meses, eu quis beber 4 litros de vinho... eu era um feto hippie.

E assim sou hoje. Não, não bebo 4 litros de vinho por dia, mas adoro tomar banho de chuva e de cachoeira, além de chuveiro, claro. Mas nada disso me fez esquecer o fato de que eu tinha perdido meu tempo fazendo uma escova no meu cabelo.

E se meus cabelos não estivessem absolutos e lisos, como em tantos outros dias que peguei chuva sem escova? Teria levantado os braços e cantado "singing in the rain". Então sorri, olhei para o céu e vi gotinhas pingando nos meus óculos grossos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para uma das Carol da minha vida (Parabéns, flor!)

A vida é uma coisa surpreendente. Mesmo eu tentando encontrar todas as probabilidades possíveis para as coisas que acontecem na minha vida, me vejo pega de surpresa com os sentimentos. Porque eu posso prever o que vai acontecer, mas não o que irei sentir. Eu sou uma pessoa com uma péssima auto-estima, pessimista até. Sempre tenho um sorriso no rosto, mas penso muito bem antes de fazer qualquer coisa e penso em todas as conseqüências (boas ou ruins).  Mas uma coisa que todos que me conhecem nunca discordam é que eu tenho muitos amigos. Pessoas que eu amo e que faria de tudo para vê-las bem.

Há três anos eu era uma criança. Uma menina filha única mimada, que não sabia e nem precisava pagar contas, fazer arroz ou lavar roupa. Mesmo assim, me senti a pessoa mais madura e crescida do mundo quando passei no vestibular e vim para Bauru.

Quase quatro meses de república depois, fui dividir um apartamento com uma veterana. E com ela, me vi completamente sozinha. E assim se constituiu nossa amizade. Sem miguxices, sem mimimimi, noites em claro conversando , dancinhas bizarras no elevador e na sacada... A lista é grande. Momentos bons, momentos não tão bons. Dias sem fazer nada juntas, dias completamente lotados... Não importa. Eu aprendi muito com essa menina. Cresci bastante com ela. E sinto que minha alma encontrou uma irmã para toda a vida.

E isso me deixa muito feliz e nada pessimista. Parabéns, Carol. Nada que eu diga será suficiente para expressar minha gratidão por você ter entrado em minha vida.

Siempre supe que es mejor , cuando hay que hablar de dos, empezar por uno mismo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Da nostalgia




Essa semana a MTV completa 19 anos. Não. Eu não trabalho lá e nem ganhei nada por essa propaganda gratuita aqui no Crônicas. O problema é que não tenho conseguido dormir desde então. Cada videoclipe que passa é uma lembrança diferente. Eu amo música e adoraria saber cantar ou tocar algum tipo de instrumento. 


Um dos clipes que passou foi das “Spice Girls”. Logo me animei e, para a minha grande surpresa, ainda sabia a letra inteira de “Wannabe”. E cantando aquela música eu lembrei de muita, mas muita coisa.


Em 1997, eu estava na quarta série, morava em um sobrado e ainda não conhecia os milagres da depilação no buço. Na época, um cd era uma coisa cara, muito cara; e eu fui a primeira da sala a ter um. Acabamos fazendo um cover delas e eu era a Mel B. Como todas queriam saber as letras e o encarte tinha as letras muito pequenas, não consegui xerocar e tive que copiar faixa por faixa à mão. Melhorei minha escrita em inglês e a pronúncia. E, seis anos depois, virei professora de inglês e espanhol (a Shakira tava bombando com Estoy Aqui na mesma época). 


Aos 11 anos, tudo o que eu queria era que na minha casa pegasse MTV. Mariah Carey não era cafona, ouvíamos axé e não tínhamos vergonha de ralar na boquinha da garrafa (eu tinha sim, ok? Lembrem-se: eu era magrela de óculos, CDF e sem saber o que era depilação ou escova progressiva), quase ninguém tinha celular e ninguém sonhava com a existência do DVD - eu uma vez sonhei com isso, mas conto depois.


Eram tempos bons. Acredito que vivi a última verdadeira infância: X-tudo, Castelo Ra Tim Bum, Chiquititas, Carrossel, Malhação com o Dado e o Mocotó, Planeta Xuxa, Mara Maravilha, Pense Bem, Mega Drive e Nintendo, papéis de carta.Embora tudo parecesse mais difícil pela falta de tecnologia, as crianças ainda eram crianças. Só quem usava roupa listrada era mímico e o hip hop e o rap não tinham invadido o mercado da música, assim como o emo. E nada de internet. 



Agora vocês querem saber a parte mais triste de sentir nostalgia? Como os jovens diriam: "Nostalgia é coisa de gente velha". É... acho que é verdade. Afinal, os Backstreet não são mais Boys já há algum tempo nem as Spice são Girls. Assim como eu.


ps: Um outro ótimo canal da madrugada é a NGT por conta do Stay Heavy que tem algo que a MTV não tem mais: metal. E o outro canal é a TVBrasil com o programa Samba na gamboa com o Diogo Nogueira (um dos homens mais lindos e simpáticos desse país, ai, ai... ta aqui um trecho do programa dele)

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